Fui buscar em minhas recordações
onde estaria a sementinha que me fez gostar tanto de ler, escrever e viajar em
minhas leituras... Sempre soube da poderosa influência da minha mãe na minha
vida e de toda a família. Foi a primeira a estudar, sendo a caçula de 9 irmãos,
lá em 1945. Pensa!!! A primeira, mulher, a saber ler e escrever e a inspirar a
sede de conhecimento a sua volta e pelas próximas gerações! E que história
linda de vida para conseguir prosseguir nos estudos para ser... professora!
“Primária” e depois, de matemática no “ginásio”. Sempre a vi estudando,
lendo... foi um exemplo incrível.
Mas, nesta releitura de minha vida,
percebi-me com os olhos e o coração embargados de emoção: redescobri meu pai!
Meu pai tinha apenas a 4ª série
primária, sem muito jeito para ler ou escrever. Mas tinha uma voz maravilhosa e
vivia cantando e isso me marcou muito! Minha infância foi repleta de canções. As
canções de antigamente eram em sua maioria histórias de vida, de amores
incríveis de finais felizes ou não,
descrevia lugares, pessoas, sentimentos, falava da natureza, de família, de
profissões... tanta coisa que nos levava não só a ouvir ou cantar, mas a pensar
e sentir só de ouví-lo cantar e declamar. Comecei então a colecionar letras de
músicas e poesias.
Sabe, não tinha relacionado as
músicas que tanto amo como parceiras do meu gosto por ler e escrever!
Lembro-me dos livros da Coleção
Vagalume, do livro “A Terra é Azul” e do “Meu Pé de Laranja Lima”. Chorei por
dias quando os li, na 1ª, na2ª vez...
Pensava em ser escritora como minha
chará “Ivani Ribeiro”. Adorava fazer versos e as redações da escola até que um
dia meu professor da 6ª série a leu em voz alta na sala de aula e disse
categoricamente que aquela redação estava muito boa para ser minha... e me
desclassificou do concurso da classe. Jamais esquecerei isso. Hoje ainda leio
bastante, mas já não escrevo mais. As vezes faço letras de músicas ou de
paródias para incrementar algumas aulas e me aproximar de alguns alunos
“trabalhosos”.